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A cantora Perla participa de filmagens no Paraná
Novo trabalho de Nivaldo Lopes é baseado em obra homônia de Wilson Bueno

  

A cantora está comemorando 30 anos de carreira.

 

O cenário é uma boate meio fuleira do centro de Curitiba. Nas mesas dos cantos da sala, todas vermelhas com cadeiras estofadas na mesma cor, homens conversam com as "meninas" da casa. Numa das mesas centrais, um cantora e um violeiro interpretam a canção "Paloma Blanca" para um casal. A voz é facilmente reconhecida, assim como a figura que empresta toda sua emoção à música.

Corta! Está fechada a primeira participação da cantora Perla no curta-metragem Mar Paraguayo, novo trabalho do diretor paranaense Nivaldo Lopes, o Palito. Ainda na seqüência, a artista paraguaia filmaria uma cena em que cantaria a música "Recuerdos de Yparacaí", que possivelmente será utilizada na abertura do filme, segundo Palito. 

O cineasta diz que até pensou em chamar Perla para interpretar a personagem principal do curta baseado no livro homônimo de Wilson Bueno, mas como já tinha elenco definido, fez o convite apenas para uma ponta mais do que especial: "Ela é um símbolo da cultura paraguaia no Brasil, não pelo lado brega e pelo kitsch que as pessoas muitas vezes apontam, mas por ter uma aura mítica. Isso eu lembro desde criança, quando morava no norte do Paraná e a via cantar, havia uma relação direta com meus tios cantando aquelas guaranias".

Perla revela ter ficado surpresa com o convite. "Sempre quis ser cantora, mas adoro filmes, a produção, o envolvimento de todo mundo no trabalho. E vejo semelhança no que eu faço, pois quando interpreto eu sou minha contra-regra, crio minha cena, vivo intensamente o papel de cada música. Cada música é um filme para mim", confirma.

Em entrevista ao Caderno G, a cantora lembrou os 30 anos de carreira no Brasil, que estão sendo completados este ano. Por conta da data, ela tem aparecido em vários programas televisivos em 2003, recebendo algumas homenagens. "O Brasil é muito grande e as pessoas não esquecem da gente. Apresentadores como o Bolinha, Chacrinha, Flávio Cavalcanti, Airton Rodrigues (do Almoço com as Estrelas) foram embora, mas nós ficamos", lembra.

Nas décadas de 70 e 80, Perla era uma das artistas que mais vendia discos no país. Hoje, ela continua a fazer shows pelo Brasil - atualmente está lançando Nuestras Canciones, registro com sucessos que gravou em espanhol. "Vamos nas cidades onde os megashows não vão. Recebemos cartas, fotografias, presentes dos fãs, as pessoas se lembram das músicas, "Fernando", "Pequenina", "Índia", os boleros, pois muitas namoravam ao som delas. Devem haver muitos Fernandos e Perlas espalhados por aí por causa dessas canções", brinca, revelando que toca em feiras agropecuárias, em praças públicas nas cidades e até em festas surpresas de aniversários e casamentos. "Algumas pessoas me convidam para homenagear e surpreender os pais, que se emocionam quando chego. É muito gratificante fazer parte da história de alguém", continua.

A artista, que está se naturalizando brasileira, rejeita o rótulo de brega e cafona que marca sua geração - com ares de cult nos dias de hoje, é bom lembrar: "Sou autêntica. Somos pessoas que cantam com amor e carinho, de forma simples e bacana, nós vamos onde o povo está. A música é a coisa mais autêntica da vida e não entendo porque rotular isso como brega. Não pode haver esse preconceito, porque a música é a alma das pessoas".

Perla afirma ainda manter contato com os artistas da sua época como Sidney Magal, Angelo Massimo, Amado Batista, Odair José e Maria Creuza, entre outros. "Nos encontramos nos aeroportos, nas estradas da vida. É gostoso matar a saudade, somos uma grande família, nos ajudamos uns aos outros, ao contrário dos que ficam esnobando a gente, que são pessoas vazias e frias", finaliza.

Contatos para shows: (013) 3358-2933

Rudney Flores - Gazeta do Povo - 18/09/2003 - GAZETA DO POVO - Curitiba - PR

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